sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

ATÉ O AMANHECER


Um conto de Dead By Daylight


Kelly corria sem fôlego pelos corredores do prédio abandonado. Quase não puxava o ar. O desespero já tinha sido bem maior quando ela percebeu o que estava a perseguindo. Tinha combinado com os outros que ela encontraria o jeito de atrair o monstro para que conseguissem terminar a missão. Ela não entendia porque havia sido escolhida e nem como tinha sido transportada para aquele lugar decrépito com fedor de morte em cada canto e demorou para entender de uma vez por todas que o vulto nos milhares de espelhos espalhados pelo local estava ali para sacrificá-los em um ritual macabro de magia negra.
 Enquanto reunia o pouco de coragem que lhe restava, observando cautelosamente os cômodos escuros cheios de tralhas, ela percebeu que o único espelho ali estava virado para a porta, ao lado de uma janela aberta que dava para uma piscina vazia. Era o local perfeito para fazer a coisa mais estúpida do mundo. Ela se aproximou no espelho, prendendo a respiração ruidosa. Não tinha escutado gritos, logo os companheiros estavam vivos. Ainda. O espelho era quase de seu tamanho, como todos os outros encontrados no local. Estava manchado com sangue seco, talvez de antigas vítimas. Quantas já deveriam ter passado por ali e mirado seu próprio reflexo por alguns segundos antes que os olhos do demônio espreitassem de volta?
Sem abrir espaço para mais medo, Kelly sentiu o coração disparar. O espelho começou a escurecer seu reflexo, como se uma névoa infernal tomasse conta e ela não aguentou. O grito cortou a noite. Ele já sabia onde ela estava. Era só uma questão de segundos.
***
Robert saiu silenciosamente da cabine em que estava escondido quando escutou o eco de um grito. Será que a coisa tinha conseguido pegar Kelly? Ele não poderia ficar ali parado pensando mais sobre isso. Precisava sair vivo daquela situação. A máquina jazia no lado esquerdo da cabana, de frente para um enorme espelho grosso. Era arriscado demais, mas ele não tinha muita alternativa. Os outros estavam se sacrificando para que ele conseguisse consertar aquilo o mais depressa possível. Passou pelo espelho sem olhar seu reflexo, Ele descobriu que se não olhasse para o espelho, o espelho não olharia de volta. Isso não impediria que o monstro assassino adentrasse naquele momento e o agarrasse com muita força, prometendo horrores de tortura e sofrimento. Ele já tinha sido pego uma vez, não poderia mais – não tinha mais energia vital – para sobreviver outra daquelas. Se não fosse Roger e Kelly, ele estaria indo para o covil da criatura, ser devorado aos poucos, pendurado como uma carne fresca em um abatedouro. O sangue drenado para o banquete final.
Mais um pouco e aquele gerador estaria pronto. Restaria apenas um e ninguém tinha morrido. Ainda.
***
Demorou para entender que o realmente estava acontecendo. Até cair a ficha, Laquanda passou o dia todo tentando abrir os portões de saída e entrada naquele cenário de horror. Quando todos acordaram pela manhã, não passava de um lugar abandonado, esquecido pela vida e cheio armadilhas estranhas, espelhos e uma presença sinistra que fazia os pelos arrepiarem. Não demorou muito para que ela conhecesse os outros confinados. Roger, um nerd gordo, Kelly, uma ginasta olímpica e Robert, um mecânico dessas oficinas de beira de esquina. Cada um deles foi muito importante para descobrir o que estavam fazendo naquele local estranho e porque todo mundo sentia como se algo os espreitasse de vez em quando.
Juntos eles fizeram uma varredura no local. Não era um espaço muito grande. Dava para ver bem de todos os quatro cantos as muralhas altas, grossas e escorregadias que cercava o local. Elas acabavam em dois grandes portões que tinham uma abertura eletrônica. Desligada. Robert e Roger notaram que o local inteiro possuía fios subterrâneos e câmeras por todos os lugares. Tudo desligado. Foi assim até o anoitecer, quando uma névoa densa começou a se espalhar pelo ambiente e tornou tudo mais desagradável do que já era. Contudo, Roger percebeu: As câmeras ligaram, mas os portões continuavam fechados, ligados pelos fios até geradores espalhados pelo lugar. Robert, como era mecânico, descobriu que eles estavam inteiros, apenas desmontados de forma planejada. Ele reuniu as porcas e parafusos, ligou os fios e ensinou todo mundo a fazer aquilo funcionar. Laquanda, que não era muito boa em quase nada, ligou um fio com outro que não deveria. O estrondo assustou todo mundo. E foi aí que tudo começou...
***
      Kelly corria pelo prédio com o demônio em seu encalço. Ela não conseguiu conter o grito quando ele se aproximou e atravessou o espelho como se ele fosse água. Ela não entendia como ele conseguia enxergá-la, visto que não havia olhos, apenas uma cavidade oca e sangrenta com um odor nauseante. Mesmo assim a cabeça se virava na direção e o monstro perseguia implacavelmente. Kelly saltava as janelas e tralhas que apareciam pela frente. O monstro, contudo, não tinha essa habilidade e acabava tendo que contornar os obstáculos, dando tempo a ela.
Com todas as dicas de Roger em mente, a ginasta sabia que não poderia ficar muito tempo correndo dele, porque ele acelerava gradualmente à medida que perseguia. A segunda dica foi que ele conseguia – de alguma forma – usar os espelhos como transporte. Se olhassem para o reflexo no espelho ele saberia. Laquanda teve a brilhante a ideia de quebrar um dos espelhos e isso foi a pior coisa que ela poderia ter feito. A criatura ficou repleta de cacos de vidro encravadas na pele e ainda mais assustadora. Quando Robert foi pego pela criatura consertando mais um dos geradores, Roger e Kelly tentaram chamar atenção do monstro para que ele escapasse e os cacos de vidro tornaram tudo mais difícil. Robert somente escapou porque Roger, corajoso, se colocou na frente da criatura, mirando uma lanterna que tinha encontrado no meio da bagunça. Conseguiram escapar por pouco...
***
A escuridão avançava pela madrugada e a criatura estava começando a temer, pela primeira vez, os sussurros da Entidade. Apesar de conseguir rastrear os rostos de quem espreitou o próprio reflexo pelos espelhos malditos, o Atormentador não estava lidando com um grupo de presas comum. Esses eram diferentes, eles eram mais espertos e habilidosos. Não era a primeira vez que ele havia sido convocado para mais uma caçada de sacrifício, mas era a primeira em que estava sentindo o peso da derrota. Nunca havia poupado uma alma sequer e agora era obrigado a farejar com mais força se quisesse, pelo menos matar uns dois antes do raiar do dia. Dos sete geradores espalhados pelo mapa, restavam três. Eles só sabiam da existência de mais dois, nunca exploraram o canto sul com mais calma, talvez pela falta de portões de saída daquele lado, talvez pelo medo intenso de não conseguir voltar...
O cheiro de sangue fresco no rastro da garota mais nova atiçava ainda mais o monstro. Ele queria estripá-la, fazê-la sofrer pela audácia de escapar pela segunda vez. Ela estava começando a entender o jogo dos espelhos e estava usando isso para atraí-lo para o mais longe possível do gerador que ficava na cabana. Quando os sussurros da Entidade indicaram mais um reflexo no espelho, a criatura se deslocou rapidamente na escuridão do mundo espelhado e avançou no infeliz que ousou provocá-lo.
Era o gorducho. Tremendo no canto da sala, tentando saltar uma barricada. A criatura conseguia ouvir o coração dele batendo descontroladamente. Ele não ia conseguir a tempo...
***
Um alarme sonoro de longo alcance permitiu que todos aguçassem seus sentidos. Kelly, imediatamente observou que as luzes do painel do portão mais próximo se acenderam. Robert tinha conseguido consertar o último gerador. Enquanto corria, ela percebeu um estranho emaranhado de ossos, gravetos e caveiras humanas iluminado por velas. Ela não tinha mais tempo para descobrir o que era aquilo. Provavelmente parte do ritual insano que acontecia naquele lugar.
Ela se aproximou dos portões. Seu coração batendo mais do que nunca. A energização parecia acontecer de forma muito lenta. De repente, do meio de altos arbustos espinhosos Laquanda surgiu mancando, a perna dilacerada deixando um rastro.
- Kelly! Kelly! Ele pegou o Roger - aquela coisa - , pegou o Roger e levou para um buraco!
Kelly sentiu a adrenalina em cada parte do seu corpo. Não podiam deixar Roger nas garras no monstro. Talvez nem vivo estivesse mais, mas precisavam ter certeza. Antes de ir, ela ajudou Laquanda a fazer um torniquete. O sangramento tinha parado, finalmente. Laquanda contudo, não esperou para descansar mais, correu gritando loucamente sem rumo. Foi quando Kelly percebeu que o monstro estava vindo, decidido, na direção dela.
***
  Robert encontrou um portão energizado depois de ter se esgueirado para fora da cabana e rumado para o lado norte. Por um segundo, seu coração bateu muito rápido e ele sentiu um zumbido estranho. A criatura tinha passado por ali, certamente. Sem mais delongas, ele puxou a alavanca e esperou. A qualquer momento a porta abriria.
***
Laquanda estava atrás de uns caixotes, observando a destreza de Kelly. Ela não estava ferida e caso a criatura chegasse a feri-la, pelo menos ela tinha mais chance. Laquanda, por sua vez, com aquele torniquete podre, mancando, ela seria um alvo fácil para a criatura.
Subitamente, e fazendo Laquanda pular de susto, um outro aviso sonoro ecoou por todo o lugar. Apavorada, ela seguiu correndo no momento em que viu a criatura descer um golpe cheio de cacos de vidro na cabeça de Kelly. Tudo estava perdido.
***
Como previsto pelo Atormentador, as presas não tinham ideia da oferenda que tinha sido feita para que a Entidade lhe abençoasse com mais força. Ele mesmo a fez com os ossos das vítimas anteriores. Era provável que apenas um deles tenha escapado. O gordo estava pendurado no ponto mais profundo do local, o covil. A outra moça, a desesperada, era se arrastando, pronta para morrer a qualquer momento. E a corredora atrevida finalmente iria receber o que merecia. Ele a carregou nas costas aproveitando que ela não conseguia se debater com força por causa dos pedaços de vidro lhe perfurando a carne a cada tentativa. Ninguém iria ajudá-la. Até que foi uma boa caçada, mais empolgante dos que as outras. Quando ela observou o ganho ensanguentado erguido próximo de uma árvore, o Atormentador sentiu a agonia crescer violentamente. Nada poderia ser feito. Ele içou o corpo magro dela no ar e mirou. Foi rápido, fácil e profundo. O grito atravessou a arena da morte e a criatura sentiu que alguém estava próximo demais de seu covil...
***
Robert não aguentava mais esperar. A salvação estava ali diante dele e tudo o que ele conseguia escutar eram gritos de tormento e dor. Nem sinal de Roger, Laquanda ou Kelly. Ele tinha quase certeza que o último grito foi de Kelly, muito próximo de onde supostamente estaria o segundo portão.
A coração disparou. Não dava mais para esperar.
Robert deixou a saída para trás e adentrou na névoa, correndo na direção do segundo portão. A qualquer momento ele poderia dar de cara com o monstro, mas jamais ele deixaria com companheiros para trás.
Foi então que ele viu. Como um enorme pernil bovino pendurado em um ganho de abatedouro, estava Kelly quase desfalecida. O sangue empoçando no chão.
- Meu Deus! Kelly, eu vou te tirar daí aguenta firme.
Ela apenas piscou os olhos, enfraquecida, tentando focar no ambiente, rezando para que a criatura não estivesse a usando de isca.
***
Roger estava praticamente morto, lutando para se manter acordado e sentindo que sua visão estava ficando escurecida com formas em formas de garras ameaçando agarrar deu corpo pendurado. Ele estava em uma espécie de quarto subterrâneo de tortura lavado de sangue seco e com ganchos por todos os lugares. Não dava mais para esperar. Ele sabia que não iria escapar vivo, então decidiu juntar o que lhe restava de força, agarrou a corrente do gancho e tentou se projetar para cima, retirando o ganho do corpo, mas ele era pesado demais e suas mãos ensanguentadas escorregaram. A dor foi tão intensa que ele nem percebeu que seus pés tocaram algo sólido, mas não era o chão.
Laquanda usou suas costas para impulsionar Roger, que recobrou o fôlego, o corpo em choque, e fez a maior força de sua vida para escapar do gancho.
O coração de ambos estava disparado. Roger tombou no chão cheio de adrenalina. Não dava mais para ficar ali. Tinha apenas uma saída: uma escada em espiral que levava ao terreno na superfície. Um zumbido estranho os alertou. A criatura estava perto. Perto demais...
***
Robert abriu o segundo portão de saída enquanto Kelly descansava próximo. Talvez Roger e Laquanda tivessem escapado pela outra saída. Ele não tinha certeza.
- Eu abri o outro portão. Laquanda e Roger podem ter...
- Não, Laquanda está ferida e Roger foi pego pela criatura. Ele me disse que viu isso acontecer. Precisamos sair daqui logo, Robert, ou TODOS nós morremos antes do nascer do dia.
Robert baixou a cabeça. Mais uma vez a sua humanidade posta à prova. Ele inspirou fundo.
- Eu estava pronto para sair, Kelly. Mas voltei por você. Você acharia melhor se eu tivesse pensado do seu jeito?
Foi a vez de Kelly baixar a cabeça.
- É, foi o que eu imaginei. Fique encostada aqui. Eu vou voltar com os outros. Se eu não voltar até o raiar, vá. Corra. O mais rápido que conseguir. Está me ouvindo?
Ela assentiu e ele disparou novamente no meio da névoa.
***
Laquanda entrou em um nos armários próximos no instante em que a criatura desceu as escadas. Roger estava escondido atrás de uma da parede de madeira que serviam de sustento. A qualquer momento a criatura iria passar pelo armário e vasculhar o local, encontrando Roger desprevenido.
O monstro parecia saber que tinha gente por ali. Ele estava parado, sem fazer barulho, apurando um deslize.
Ele andou mais um pouco. Parecia que deslizava, pois som algum era emitido. Dava para sentir o odor pútrido que ele exalava. O corpo esquelético, retorcido e os membros enormes como tentáculos com garras. Ele possuía duas fendas no lugar do nariz e farejava de forma horrenda.
Laquanda estava juntando forças e coragem para abrir o armário e sair correndo escada acima. Dessa forma Roger pode ser salvo daquele lugar infernal. A criatura viria atrás dela com toda a ferocidade, mas não havia mais nada o que pudesse ser feito.
Ela tomou fôlego, encostou a palma da mão na porta do armário. Estava pronta. A criatura já estava perto demais de Roger. Talvez já devesse ter sentido o cheiro do sangue fresco.
- Roger?
A voz de Robert desceu pelas escadas. A criatura se empertigou. Silenciosamente ela se deslocou para a entrada. Laquanda conseguia ver Roger se esgueirando por trás do monstro e a sombra de Robert descendo para a morte...
Foi tudo muito rápido. A criatura avançou loucamente passando pela armaria onde Laquanda estava escondida. Roger tinha a intenção de pular na criatura para salvar Robert e Robert apenas gritou de terror, incapaz de se mover.
A porta do armário bateu com tudo na cara do monstro quando ele atacou. A criatura urrou de ódio e dor. Roger cambaleou por cima dela e Laquanda apenas correu escada acima, com os amigos em seu encalço.
***
- Meu Santo Deus! O que era aquela coisa?!
Robert estava guiando todos enquanto corria exaustivamente em direção ao portão. Ele sabia muito bem onde estavam. Ao olhar para trás, ele viu que Laquanda conseguia correr, mas dava uma ou duas mancadas de vez em quando. Roger, no entanto, era pouco atlético e olhava constantemente para trás, a mão no peito, arfando em um misto de horror e cansaço.
Robert sabia que o momento alcançaria um dos dois a qualquer momento. Ele ganhava velocidade e mirava nas costas de Roger.
O golpe veio. Roger se desequilibrou. Estava perdido.
Laquanda tentou parar, mas a criatura não quis pegar Roger. Ela continuou a caçada.
Robert apontou para os portões de saída. Menos de vinte metros eles estariam salvos.
O monstro assassino estava quase os alcançando quando Robert atravessou os portões, sem conseguir mais olhar para trás.
A névoa densa o engoliu.
***
Roger jazia no chão, acabado. A barriga pesava enquanto ele se arrastava para longe da terra e do mato seco. Havia uns caixotes empilhados por perto. Talvez se ele se escondesse atrás dele a criatura não o veria.
Enquanto se arrastava, ele sentia o resto de sangue que lhe estava sair pelas feridas provocadas pelas garras profundas do monstro. Triste fim. E pensar que na noite anterior ele tinha ido para uma festa pela primeira vez e beijado uma garota. Ele não entendeu como tudo aquilo estava acontecendo com ele. Atrás dos entulhos tinha uma pilha de madeiras velhas e pallets em pedaços, ele deitou por ali e sentiu o coração bater mais rápido. Ele sabia o que aquilo significava.
***
Kelly não aguentava mais. Apesar do sermão de Robert, ela não conseguia mais se manter acordada. Estava cansada, com fome, machucada e apavorada. Olhou para trás, mais uma vez e tudo o que ouvia era o silêncio. Atravessou a saída. A névoa espessa a engoliu.
***
   Três saíram. TRÊS!
O Atormentador abriu bem as fendas no rosto retorcido e começou a procurar. Ele tinha deixado o corpo ali, pronto para o abate. Aquele não seria sacrificado como deveria ser, aquele seria morto de forma especial.
A criatura gritou de raiva. Seu rugido pode ser ouvido pelos quatros cantos. Era o jeito apavorar as presas. Ele procurou pelas redondezas, ele jamais escaparia, pois assim que a criatura o visse, agarraria com força e o mataria com as próprias mãos.
O rastro de sangue o denunciou.
O monstro chegou até mesmo a sentir fome. Comeria ele vivo, talvez?
Em uma pilha de caixotes, era onde o rastro terminava.
A criatura foi se aproximando, aproximando...
O corpo estava lá, entrando por um buraco escuro no chão. A escotilha!
A criatura avançou com todo ódio, força e ferocidade, mas a presa deslizou completamente para dentro. 
A respiração ruidosa do monstro passou de raiva para medo. Sem o sacrifício necessário, a Entidade iria atrás dele, o obrigando a caçar vítimas naquele mundo de sofrimento por toda a eternidade. Talvez a Entidade tenha decidido ajudar aqueles quatro, punindo o assassino por sua soberba infernal. Talvez tenha apenas sido sorte. 
A criatura jamais saberia, pois os primeiros raios de sol rompiam a aurora.
Tudo estava acabado.

O Atormentador
 


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