segunda-feira, 2 de março de 2020

Ai, calor!

          

       
  O dia nasceu quente e o sol veio com força total naquela manhã de segunda-feira. Ficar dentro de casa já não era uma boa ideia, pois estava quente, muito quente.
            Ivone morava com suas duas filhas e a irmã numa casa modéstia e humilde, mas ainda sim limpinha. A casa era bem arejada, não tinha forro de nenhum tipo e as telhas eram sobrepostas por lona. O vento circulava bem dentro de casa. Só que  há uma semana o calor havia aumentado consideravelmente na cidade, ou melhor, no mundo todo, era o que diziam os jornais. O que estava acontecendo ninguém sabia informar, as explicações eram muito científicas, mas Ivone, macaca velha que era, deduziu que o sol estava se aproximando da terra...
            Fabiana, uma de suas filhas, reclamou um dia que não estava conseguindo dormir direito, o ventilador tinha quebrado e o calor era muito grande. Fabiana, toda suada, foi correndo para o quarto de Ivone no meio da noite e pediu para dormir com ela, pois lá o ventilador estava funcionando. Nesta noite, Fabiana e Bianca, a outra filha, dormiram com Ivone. Apenas Cleide, a irmã de Ivone, não dormira com elas naquele dia.
            A cada dia que passava o calor era mais insuportável dentro de casa, e sempre, na cabeça de Ivone, vinha àquela dedução de que o sol se aproximava da terra e que destruiria Mercúrio e Vênus para depois destruir a terra num banho de fogo ardente.
           
            __ Que calor é esse? __ Perguntou Marina, vizinha de Ivone.
            __ Minha filha, tenho um mau pressentimento sobre tanto calor de uma hora para outra. __ Disse Ivone.
            __ Que pressentimento? __ Perguntou Marina curiosa.
            __ Eu, na minha humilde opinião, acho que o sol ta chegando bem perto da Terra.
            __ Ivone, os cientistas disseram esse calor é por causa da inversão térmica. __ Explicou Marina. __ A poluição está sendo confinada aqui na atmosfera e eu não sei mais explicar... Mas é por isso que ta calor, mas logo passa.
            __ Querida, é tudo mentira! __ Replicou Ivone um pouco exaltada. __ Vai chegar uma hora em que vai chover fogo, o vento vai ser quente e a água vai ser fervente. Tome cuidado para quando não for ligar o ventilador à noite, no lugar de sair vento sair fogo!
            __ Credo, Ivone! __ Falou Marina. __ Você está ficando maluca. Relaxe, colega. O bom do calor é isso. __ Marina mostrou sua roupa: uma minissaia e uma minúscula blusinha que só cobria os seios, e olhe lá. __ Vou andar assim por um bom tempo e mostrar meu corpinho de coroa sarada.
           
            Ivone era muito religiosa e acreditava piamente no fim dos tempos. E este, para ela, era o começo do fim. Os pecadores pagariam por todos os seus pecados aqui na Terra, ah, pagariam sim! Ela criara suas filhas da mesma maneira, de forma rígida e religiosamente correta. As duas meninas nunca saíram para uma festa, nem para um encontro com amigos, nem nada do tipo. Ivone proibia essa interação pecaminosa. As duas iam da casa para escola e da escola para casa, e às vezes iam para a escola acompanhadas pela mãe, como forma de fiscalização. Ivone fazia com que as duas garotas pagassem penitência por pensarem coisas feias com homens e por assistirem programas ou lerem livros “do mundo”. Cleide, ás vezes, dava uma escapada para tomar umas cervejas sem que Ivone soubesse, mas também era devota de uma religiosidade, não tão aguçada como a de Ivone.

            Na televisão os noticiários anunciavam o aumento da temperatura para 32 graus Celsius  O calor já era insuportável. E em vários lugares do mundo as pessoas estavam morrendo desidratadas, as vendas de ares-condicionados aumentara 90%. O número de idosos diminuiu 40% em todo o mundo em menos de um mês. Pessoas obesas eram internadas aos montes em hospitais, pois não conseguiam suportar tanto calor. Os clubes eram lotados no começo, mas o movimento baixou bruscamente quando perceberam que as águas das piscinas também estavam começando a ficar quentes. Alguns clubes tentaram um sistema de refrigeração para a água, mas só deu certo por alguns dias, o calor era mais forte. Várias pessoas morreram quando se trancaram dentro de refrigeradores na tentativa de se refrescarem. O consumo de líquidos aumentou consideravelmente acarretando na diminuição de 0,5% da água potável do mundo, algumas hidrelétricas deixaram de funcionar e era comum a falta de energia, eram nesses períodos de falta de energia que ocorriam mais internações. As águas que ficavam nas geladeiras não gelavam mais, no máximo elas ficavam frias, tempo depois ficavam mornas, até chegar ao limite de ficarem quentes mesmo dentro da geladeira. As pessoas já começavam a entrar em pânico, ninguém mais conseguia dormir, muitos morreram na cama.

            No meio da noite, enquanto todo mundo se revirava de um lado para o outro em suas camas. Uma explosão extremamente distante pode ser ouvida por quem estava mais atento. Em seguida um pequeno tremor no solo acordou aqueles que conseguiram cochilar. A população acordou eufórica e saiu nas ruas. Todos com roupas de baixo, as crianças nuas.
            Ivone levantou da cama já premeditando o que aconteceria naquele último dia de sua vida, último dia da vida na Terra.
            __ Preparem suas almas, pecadoras! __ Falou Ivone calmamente para as filhas que estavam à porta de seu quarto. __ Principalmente você, Cleide! __ Disse olhando para a irmã com um olhar ameaçador.
            Um grito estridente veio da casa de Marina.
            Na rua, Ivone foi até a porta da vizinha. A filha de Marina vinha correndo para sair de casa e gritando desesperada:
            __ O VENTILADOR SOLTOU FOGO E TÁ INCINERANDO A MINHA MÃE! ELA TÁ PEGANDO FOGO!
            Misturado ao grito de desespero da menina vinha o grito de dor de Marina.
            __ A hora chegou. __ Disse Ivone.
            Quando olharam para o céu, os moradores viram traços vermelhos muito longe que vinham em direção da Terra. Também conseguiam ver uma luminescência vermelha que começava a cobrir todo o céu com um vermelho escarlate que mais parecia sangue se espalhando pelo céu. Os primeiros meteoros, destroços do que um dia foi Mercúrio, começaram a cair destruindo algumas casas com explosões devastadoras. A correria começou, o desespero aflorou em todo mundo, menos em Ivone e em suas filhas e irmã, essas ficaram onde estavam e olhavam para o céu, uma pegada na mão da outra em um circulo de oração.
            Logo começou a cair água do céu, não exatamente água, mas lava. A cada pingo um grito de dor e agonia. Não havia mais abrigo para se esconder, as árvores começaram a entrar em combustão enquanto a chuva de fogo caía impiedosamente. Fabiana e Bianca choravam de dor enquanto a chuva quente corroia sua pele, Cleide segurava o choro e começava a perder a sanidade, Ivone continuava como uma pedra a olhar para o céu enquanto sua pele era derretida.
            __ Agora sim estamos pagando os nossos pecados! __ Dizia Ivone. __ O fogo queima o pecado. É melhor pensar assim, não é? È melhor pensar que a os assassinos vão pagar pelo que fizeram, que os estupradores vão pagar pelo que fizeram, que os hipócritas vão pagar pelo que fizeram...
            Cleide caíra no chão sem uma parte do rosto e com uma parte do cérebro a amostra, mas Ivone e Bianca não soltaram as mãos dela.
            __... os traidores vão pagara pelo que fizeram.
            __ Os falsos vão pagar pelo que fizeram. __ Disse Bianca às lágrimas e logo em seguida caindo no chão. Mas Fabiana não soltou sua mão.
            As pessoas que não foram atingidas pelos meteoros eram corroídas pela chuva e já viravam esqueletos no chão da rua. Um caldo vermelho estava sendo criado nos córregos, uma mistura de sangue e fogo, de pecado e purificação.
            __ Os invejosos vão pagar pelo que fizeram. __ Disse Fabiana. __ Os que têm Ira vão pagar pelos que fizeram. Os Vaidosos vão pagar pelo que fizeram. __ Fabiana, que já não tinha a face de um ser humano caiu no chão e se esparramou em víceras e pele. Mas Ivone continuava a segurar as mãos de Cleide, que se soltara do corpo, e de Fabiana. E prosseguia:
            __ Os preguiçosos vão pagar pelo que fizeram. Os gulosos vão pagar pelo que fizeram. Os avarentos vão pagar pelo que fizeram. Os luxuriosos vão pagar pelo que fizeram.
            Os gritos cessaram, já não havia mais ninguém vivo naquela área da cidade. A chuva aumentava de intensidade. Alguns minutos atrás outra explosão, desta vez extremamente alta. Seria Vênus que deixara de existir também? E Ivone falou pela última vez antes de cair queimada no chão alagado de lava:
            __ E eu vou pagar por tudo que eu já fiz

domingo, 1 de março de 2020

CRÔNICAS DO FUTURO FINAL



CRÔNICA 1 - NOS BRAÇOS DE MORFEU
Eu era ninguém. Um desajustado social que vivia vagando pelos becos escuros de Neo York. Eu não tinha dinheiro, família, nada, naquele lugar. Eu cresci como um marginal entre os Orcs nos esgotos, alimentando minhas esperanças com os restos que a elite deixava cair dos arranha-céus quilométricos que se erguiam em cada esquina enevoada. A raiva da desigualdade social, das injustiças causadas pelo sistema neocapitalista, que escravizava até a alma dos condenados da classe E, era o que me incitava a sobreviver em meio a toda aquela sujeira enquanto sonhava com um mundo melhor.
Era costume frequentar a taverna de um minotauro cyborgue que comandava a zona sudeste de Neo York, no bairro A06. Era um dos lugares mais barra pesada daquela zona, mas eu já era conhecido por lá e tinha acesso livre para fazer meus corres. Eu só deveria ter cuidado com alguns elementos que eu estava devendo...
Naquela noite a fome tinha apertado e o melhor lugar com uma comida boa, barata e com menos gosto de graxa e óleo possível era a taverna Cabana Metallica. Era um prédio vagabundo revestido com placas enferrujadas de diversos tipos de metal com uma porta automática de aço escovado que destoa do restante da construção e foi conseguida – certamente – no mercado negro dos elfos renegados.
Gastei os últimos números no meu braço para comprar alguma besteira para passar a fome. Ou enganar a barriga. Eu tinha levado uns D-crypter XPs para vender a uns batedores de carteira na esquina da Lexington com a Whiteout. Esses aparelhozinhos cheios de fios coloridos podiam invadir e roubar qualquer coisa, inclusive os números de câmbio da mente dos drogados que iam ao Dreamx para viver nas ilusões de um mundo perfeito construído por códigos binários. Eu mesmo já fiz isso várias vezes quando criei o D-crypter XP e comecei a vender nas sombras do submundo. Só que eles foram equipados com um software auto destrutivo que sobrecarregava e fritava o chip de memória, inutilizando o aparelho. Apenas se podia usar uma vez e eu vendia muito. Eu era esperto demais.
Quando eu saí da Cabana Metallica não percebi a emboscada armada por um dos meus ex-clientes, um dos quais eu enganei muito, diga-se de passagem. Eles aguardaram pacientemente que terminasse minha refeição e tomasse uns drinks fortes de Metilona. Quando eles me agarraram ainda me dosaram com serummorfin – que fez um efeito interessante quando misturou com o álcool no sangue. Fiquei um tempo desacordado sonhando coisas boas sem imaginar o que viria.
Sabe, eu sobrevivi muito tempo naquele mundo hostil, o suficiente para entender que um malandro não foi feito para durar tanto. Eles me drogaram com Chimera até conseguir o segredo do software no D-crypter XP. Quando conseguiram roubar todos os meus segredos técnicos, passando por todos as barreiras protegidas do meu cérebro, eles me overdosaram. Eu morri feliz. A Chimera é uma droga forte, usada na Dreamx para criar ilusão monitorada por um supercomputador, mas em alta dosagem pode sobrecarregar sua mente e fazer você entrar em atividade neural de sono permanente. E aliada à Metilona e ao serummorfin...
O que aconteceu com meu invento eu não sei, mas os elfos negros que o roubaram vão fazer um ótimo proveito dele.
E o que restou de mim?
Eu ainda sou o mesmo.
Apenas um menino que sonha com um mundo melhor.
Agora para sempre.

CRÔNICA 2 - EFEITO DOMINÓ
A taça de champanhe esvaziava lentamente enquanto eu navegava pela webnet procurando informações que noticiaram o lançamento da minha nova coleção no FashiOne Weekend. Os meus designs foram especialmente desenhados para serem "Um deleite visual!", de acordo com o Neo York Wall; "Fruto de um gênio indomável das passarelas", na página principal do N1Y; e "Verdadeira obra de arte da alta costura" no ChroNews. Uma grande vitória que eu passaria na cara de todos que não acreditaram na minha ressurreição diante da última e fracassada coleção, quando até a Forgery, uma moda para anões e halflings, e a Misfits, que eram baratas e populares e com menos padrão de qualidade, conseguiram compradores importantes e eu não.
Quando assumi o controle da empresa, eu era uma promessa daquele mundo ingrato. Um sonhador como qualquer um outro nessa cidade, preocupado em manter meu status para não acabar nos esgotos da vida dividindo meus fracassos com os taverneiros na zona sul, provavelmente tendo me dobrar a trabalhar para uma empresa baixa qualquer como a Misfits.
Enquanto enchia a taça novamente, eu estava lendo alguns comentários dos usuários da SOMA, a maior rede social do mundo, e fiquei surpreso pela quantidade de pessoas que assinaram a página Hidden Tops - um mural repleto de notícias de procedência duvidosa sobre a elite. A princípio não negarei que passei a assinar a página porque havia uns posts sobre a família Rock'n'feather, fofocando sobre as excentricidades da socialite Ravenna, filha de um megaempresário, que abalava os bairros nobres flutuantes com suas festas e glamour. Outros posts comentavam ainda mais sobre outras poderosas famílias, como os Blackwoods e os Van der Leaves, dois distintos clãs élficos.
Um dos posts parecia mais uma fofoca enviada por uma fonte anônima, como estava escrito, e comentava sobre o possível contrabando e abuso de substâncias ilícitas pelo filho pródigo dos elfos negros da casa Blackwood. Havia uma foto do jovem comprando as substâncias e outra com ele já drogado no FashiOne da noite passada.
Os Blackwoods provavelmente estariam furiosos se soubessem disso, mas como os Elfos - e especialmente eles! - não costumam usar a SOMA, eu usei minha prestigiada conta na rede social élfica exclusiva, a Mellon. Entrei no perfil do Blackwood e enviei o link por inbox. Ele precisava ver o que sua prole andava fazendo pelas baladas da vida.
Passados uns minutos eu recebi um e-mail de um usuário chamado 90551P 91RL. Eu simplesmente não acreditei no que vi. Esse usuário era o dono da página Hidden Tops e me enviou a próxima notícia que iria bombar em sua página na SOMA: A nova coleção da VauxHaus é uma FRAUDE!
Se não fossem as provas concretas do meu crime anexadas naquele e-mail, eu não teria temido tanto. Havia fotos, vídeos e áudios das minhas transações com crackers que roubaram a coleção da concorrente Sage & Istari, antes dela ser lançada.
“Quanto você quer para não divulgar esse material?” -, digitei em resposta, suando frio. O pop-up de um novo e-mail chegou quase que instantaneamente: “Nada que você possa me dar. Hasta la vista, baby”.
E de repente a página principal do Hidden Tops publicou meu nome e toda aquela sujeira. Eu estava completamente ferrado. Eu sentia os números no meu braço querendo apagar. Recebi ligações dos meus advogados ao mesmo tempo em que a imprensa noticiava a bomba e os representantes da Sage & Istari iniciaram uma videoconferência para o mundo inteiro. Eu peguei o bracelete BankUp e removi toda a quantia no meu braço. Era muito número para perder num processo. Peguei um elevador e desci abaixo da névoa que dividia as classes D e E. Ninguém me encontraria enquanto estivesse lá embaixo, mais próximo dos anões e orcs. Tomei um transporte ativando uma magia do iSpell para me camuflar e quando cheguei ao apartamento na zona leste, o iSpell notificou uma nova mensagem.
“Não vou divulgar isso na SOMA, é só pra você saber que eu sei”
90551P 91RL

Anexada ao e-mail havia uma foto do meu apartamento. Um imóvel no bairro anão na avenida DurinWall que eu achava que ninguém sabia da existência. Terrorista filho de um troll! Eu enviei um e-mail de volta, meu rosto começava a esquentar de raiva. Ninguém me trataria dessa forma e sairia impune. Eu enviei um feitiço rastreador para descobrir a fonte do e-mail, mas quando o sinal subia ao céu era interrompido por um firewall mais poderoso. Quem quer que fosse o tal usuário 90551P 91RL, era um membro da elite. Seria impossível saber a identidade. Uma nova mensagem abriu no canto.
“Ulliel Blackwood sabe que você mandou o link para o Blackwood pai. Se eu fosse você me preocuparia muito mais com sua vida que em me rastrear”
90551P 91RL.
Quando o último e-mail chegou, eu notei que minha inbox na Mellon tinha uma mensagem do Ulliel. Não havia nada escrito além de uma foto de um prédio escuro. Invadiram o apartamento tão rápido que eu nem senti. Contudo, além de estilista e megaempresário, eu era um techmago. Se eu não saísse vivo dalí, ninguém mais sairia. Decididamente eu levaria todos comigo. Quando Ulliel Blackwood apontou sua arma para mim, meu iSpell já tinha carregado a mais potente magia que havia aprendido, a supernova.
Mil trezentos e cinquenta e sete pessoas foram eliminadas com sucesso.
A tela inquebrável do iSpell revelava o fim do bairro inteiro.
A manchete no Hidden Tops brilhava no canto:
ATENTADO TERRORISTA EM BAIRRO ANÃO.
Foi assim que a guerra começou.   


CRÔNICA 3 - PRODÍGIO
Fazia uns meses que eu vinha perseguindo e investigando o Dr. Sage a serviço da NPD - Neo Police Dept. O sujeito era acusado de terrorismo por vender novas versões, atualizadas de forma não autorizada, da ave mitológica Fênix. As minhas habilidades como hacker já me meteram em muitas enrascadas, mas também me salvaram de muitas outras. Cara, eu sou muito bom no que faço, mas quando se é um hacker num mundo tão caótico como esse, um deslize e você caí num poço profundo.
Meu poço profundo foi acabar dedicando minhas habilidades ao roubo de informações para o serviço secreto do país, já que tinham me detectado e prendido enquanto eu invadia o supercomputador da multiempresa tecnomaga ArcTech. Era uma relação de amor e ódio com o serviço secreto e eu iria receber tantos números de câmbio que seria preciso comprar novos braceletes BankUp para armazenar.
O meu destino drsticamente mudou quando o firewall do sistema da foi ativado e o meu modo stealth foi desativado. Fui obrigado a encontrar um terminal de saída antes que as magias de segurança me alcançassem. Percebi que eu não era o único que havia invadido a ArcTech e que o alarme não havia sido ativado pela minha imprudência. Havia alguém me trollando no sistema. Um agente, desses mais idiotas, tentou quebrar os códigos de segurança da divisão de genética e biotecnologia usando uma ferramenta mais ultrapassada que telas de LED. Graças ao desvio que o sistema deu ao perseguir o troll imbecil, eu consegui tempo para quebrar os códigos de segurança anti-stealth. Meu iSpell tinha um meio de criptogafar a magia da invisibilidade me dando o mesmo efeito, mas com um novo código gerado, impedindo que o sistema me reconhecesse rapidamente.
O meu iSpell não era um dispositivo comum, era um dos poucos no mundo que rodava o Googleplex OS. Eu consegui quebrar as senhas do software que os tecnomagos colocavam em seus aparelhos, o Imprisoned. Não foi fácil, mas eu tive uma boa educação. Com o imprisoned burlado, eu fiz um dual boot com o sistema Applex OS e agora eu tinha duas poderosas ferramentas contidas no melhor hardware do mercado depois do Electome, criado pelos elfos. Embora o Googleplex OS fosse muito fácil de invadir, a minha habilidade com tecnomagia me ajudou a ligar os códigos do Applex OS com ele, criando um novo seguro sistema operacional: O Fusion OS. Eu mesmo que dei o nome.
Com meu iSpell turbinado, consegui descobrir que o segundo invasor do sistema era um usuário do governo. Um agente infiltrado. Um idiota enviado para fazer besteira. Qualquer breaker que se preze sabe que não se pode invadir um supercomputador usando a webnet. A webnet é uma rede mundial. Está presente em todos as máquinas no mundo, é fácil de se locomover e mais fácil ainda de se identificar, mas a cybernet é particular, mais fácil de quebrar uma vez que se tenha acesso. Todo supercomputador possui as duas redes. Uma delas para o mundo, outra para os internos. Conseguir a senha de um interno não foi difícil, mas invadir o sistema sem dar aviso de conexão foi, mas graças ao meu iSpell, consegui.
O agente do governo estava procurando um terminal para sair da cybernet, agora que o cerco estava se fechando graças ao incrível anti-breaker que o sistema tinha. Eu poderia sair por onde entrei, já que o terminal estava protegido pela senha de usuário interno que não foi logado, por isso não foi identificada a abertura, mas o sistema não iria deixar o agente sair. Não inteiro, pelo menos.
Quando o meu iSpell me enviou um código de rastreamento OPN - Omega Protocol Network, eu sabia que não era mais brincadeira. A coisa estava ficando séria. O sistema da ArcTech havia logado os avatares dos tecnomagos para uma única tarefa: Rastrear e destruir. O Fusion OS não conseguiu identificar a localização dos tecnomagos, pois o inprisoned dos iSpells deles estava impedindo uma conexão por desconhecimento parcial do sistema operacional. Um Applex OS só se conecta com outro Applex OS. Contudo, qualquer operação que fosse feita eu saberia em questão de segundos. E, em questão de segundos, eu estava sendo perseguido por uma magia devastadora que bloqueou meu radar.
Quando o efeito da System Blindness se desfez, era tarde demais. O agente havia sido encontrado tentando abrir uma porta clandestina num setor de atendimento ao cliente. Outro grande erro desses idiotas, achar que um setor movimentado também deva possuir mais portas. Não havia nada que eu pudesse fazer. Os códigos que eu queria encontrar já deveriam estar mais protegidos que o arranha-céu dos dragões. Eu saí do sistema e voltei a tempo do meu iSpell começar e pedir carga e de ser preso pela NDP, por tentativa de roubo de informações privilegiadas e invasão de rede privada. Para abrandar a minha sentença, eu ofereci meus serviços para treinar os operadores secretos deles. Eu sabia que eles também tinham invadido o sistema, mas não obtiveram êxito ao sair. Imagina se os tecnomagos descobrem que a polícia tentou invadir o sistema deles...
Para que eu não abrisse minha boca, fui nomeado a um cargo na divisão secreta da polícia. Eu treinava os invasores e rastreadores. Consegui vender a patente do meu Fusion OS, mas não dei os códigos de instalação. Você sabe quantas pessoas ficam milionárias da noite para o dia, roubando informações privadas, ganhando um cargo elevado no governo, vendendo patentes tecnológicas ao serviço secreto e tendo apenas treze anos? Pois é, quando eu entrei nessa era só para conseguir uma grana para comprar o novo PlayStation Infinity da SONY. Agora eu tenho tudo.